4 de julho de 2026

Uma Lenda Chamada Caçador!

por Edu Manzano

Em todos os campos da arte, infelizmente há sempre aqueles que embora tenham feito trabalhos significativos, não puderam prosseguir para que sua arte pudesse ver as luzes dos holofotes e acabaram relegados ao quase esquecimento completo, graças à internet e à rapida disseminação da informação do mundo atual, obras são resgatadas e recolocadas de modos que aqueles que não puderam ter contato com elas, possam apreciá-las, assim é em todos os campos do conhecimento e não poderia ser diferente nos quadrinhos.

Marcelo Silveira

 Hoje vamos falar sobre um trabalho singular e seu criador Marcelo   Silveira que no início dos anos 90 apareceu nos fanzines com O Caçador   (criado em 1988) , herói urbano que logo ganhou a simpatia dos leitores   pelas suas tramas bem elaboradas, antes de mais nada é preciso citar que   na época "O Caçador" ainda não era um nome tão comum para um   personagem, embora a escolha de um nome simples e de fácil assimilação   tenha sido uma boa sacada de Marcelo à época.

 A lenda que viria a ser conhecida como "O Caçador" é uma saga passada     de pai para filhos.

 Com remorso pela morte do irmão Lovecraft resolve assumir o manto do      justiceiro e tornou-se o segundo Caçador. Porém por mais força de   vontade e coragem que tivesse, Lovecraft não tinha as habilidades nem a   

força física de seu irmão o que fez com suas poucas investidas contra o crime organizado resultassem num tremendo fracasso, assim abandonando seu alter ego, mas a chama da vingança em seu coração nunca arrefeceu.

Isso o levou a induzir seu sobrinho Willian Kaddeman Filho que na época completava 18 anos a vestir o uniforme e tornar então o terceiro Caçador. 

Graças a um rigoroso treinamento marcial e com armamentos, assim enfrentou e derrotou a Máfia local vingando a morte de seu pai. Renascia para o mundo a lenda, muitos acreditavam que o primeiro Caçador havia voltado a agir, para alguns ele era apenas uma lenda, entre o real e o imaginário ele se tornou um justiceiro, um vingador.

Segundo Marcelo Silveira, a primeira HQ do personagem surgiu em parceria com seu amigo Carlos Fernando, "Dias de Vingança" as aventuras desta história foram divididas em 5 capítulos e publicadas à época no "BIG ZINE" e mais tarde reunidas em um só volume pelo Q.I de Edgard Guimarães. A edição ainda contava com ilustrações do personagem feitas pelos artistas J.N. Bonzanini, Tarcilio Dias e Sergio Gama.

Atravessando décadas segundo a cronologia de Silveira. O primeiro caçador foi William Kaddeman (pai) que criou e vestiu pela primeira vez o uniforme para se vingar de uma gangue de motoqueiros que havia espancado seu irmão, incentivado por seu irmão Lovecraft e suas habilidades atléticas, Kaddeman assumiu de vez o manto do justiceiro mas sua exagerada auto confiança o levou a morte. Aqui já se nota uma preocupação de Silveira em tornar seu personagem crível e mortal antevendo algo que aconteceria nas hqs muitos anos depois.

Dias de Vingança  mostra Willian Kaddeman já há algum tempo sob o manto do Caçador e questionando-se sob acabar com a carreira antes que o manto do justiceiro acabe com ele como fez a seu pai, mas ele é forçado a continuar sua sina quando Judas Priest, um mercenário aparece e transforma sua cidade no caos e o Caçador mais uma vez é obrigado a enfrentar sua gangue e num poderoso embate final derrota Judas e abandona seu uniforme.

Após algum tempo, Willian Kaddeman tornou-se operativo da D.E.S. (Divisão Especial de Segurança), um órgão secreto ligado à Polícia Federal, cujo objetivo é garantir a segurança de VIP'S, políticos e testemunhas em situação de risco.

O sucesso de Dias de Vingança foi tanto e deu um retorno tão inesperado à Marcelo Silveira que este decidiu por dar ao Caçador um fanzine próprio e o próximo passo foi a excelente mini-série em 3 capítulos intitulada "Terrorismo no Oriente", roteirizada por Marcelo Silveira e Jerônimo Souza, contava com desenhos de Jerry Adriani (editor na época do zine Profecia) no primeiro capítulo, Alex Sturmer no segundo e Jerry Adriani e o craque Daniel HDR (antes de se tornar artistas nos EUA) no terceiro capítulo, as edições ainda continham ilustrações de Sergio Gama e Alex Doeppre. A Mini-série também foi reunida mais tarde por Edgard Guimarães, e para quem compra-se a série completa ainda era dada a opção de adquiri-la com uma linda capa dura colorida em silk-screen, coisa rara na época para um publicação independente!

Em Terrorismo no Oriente, após Willian Kaddeman ter se decidido em abandonar a carreira de justiceiro é obrigado a embarcar para o Líbano em uma missão terrorista para o M-19, por causa de uma pendência antiga de seu pai com o governo britânico, em meio a um turbilhão entre traficantes de drogas e as autoridades libanesas por fim o Caçador consegue realizar sua missão e limpar o nome de seu pai.

A série foi muito elogiada na época e foi indicada ao Troféu Angelo Agostini de melhor lançamento de 1993!

Entusiasmado com a receptividade de seu personagem Marcelo Silveira então adentrou 1994 com a idéia de continua a saga de seu justiceiro e que melhor razão do que trazer de volta seu pior inimigo, Judas Priest?

Essa é a premissa de "Almas Corrompidas" uma minissérie em dois capítulos publicadas no "Zine HQ Especial e como de praxe reunidas mais tarde pelo Q.I de Edgard Guimarães. Com roteiros de Silveira e com arte do genial Marcio Sennes. Aqui descobrimos que Judas Priest não havia morrido, e sim foi mantido em animação suspensa por um de seus contratantes para ser usado como um assassino-zumbi, mas assim que o mesmo é despertado ele mata o contratante e parte para o seu antigo Covil com um objetivo: - Reunir seus homens e encontrar o Caçador. Nesse meio tempo um Willian Kaddeman mudado volta ao Brasil de sua ida ao Líbano, quando ao chegar ao bairro de seu tio para uma visita é alvejado por um dardo tranquilizante e cai desacordado.

Ao acordar ele se encontra caído em um fosso e vestido com o uniforme do Caçador! Era tudo um plano de Judas para um último confronto "mano a mano" entre os dois, na frente de todos os homens de Judas, num combate desigual no qual Judas utiliza de baixeza e armas brancas, por fim o Caçador é atravessado por uma lâmina e cai desacordado na água. Judas grita vitorioso aos céus. A história fecha com dois varredores descobrindo parte do uniforme rasgado do Caçador. Seria o fim definitivo do justiceiro?

Anos depois outro intrépido dos quadrinhos brasileiros Carlos Henry roteirista, desenhista e  fã inconformado com o fim do herói tão significativo, resolve trazê-lo de volta roteirizando a HQ "Atos de Vingança"

Para a empreitada Carlos convidou alguns artistas que participaram das edições anteriores do Caçador como Marcio Sennes, Tarcílio Dias e Sergio Gama, também ajudaram no projeto Gabriel Rocha, Anilton Freires e Sebastião Nicolau.

Na trama, descobre-se que o pretenso Willian Kaddeman morto era na verdade um sósia do verdadeiro Willian. Agora livre Judas tomou conta do submundo e distribui drogas para todo o país, seguindo as pistas o caçador encontra então Judas e mais uma vez os dois travam luta e derrotado Judas é entregue ás autoridades enfim com seu cartel sendo esfacelado. A Hq fecha com uma interessante cena onde Kaddeman ajeita sua máscara de Caçador, e dizendo : - "Agora eu sou o caçador, não porque preciso ser, mas porque quero ser!"

CURIOSIDADES:

O trágico fim do Caçador?

Em 1994, Marcelo interrompeu a continuidade do Caçador, devido aos compromissos com o Curso de Histórias Em Quadrinhos no Museu de Arte do Rio Grande do Sul "Ado Malagoli" (ministrado pelo grupo Visuart, do qual ele fazia parte, junto com Jerônimo de Souza, Daniel HDR, Jefferson Barbosa e Marcos Pinto Gomes) e a faculdade de Artes Plásticas na UFRGS.

Daniel Santos, grande entusiasta do personagem, produziu, então, uma versão para os eventos mostrados em "Almas Corrompidas", a HQ "BAM!", em que o Caçador ressurgia como traficante nos morros cariocas, atuando ao lado do Saltador (personagem criado por Daniel). Algumas páginas foram desenhadas por Daniel HDR e Volnei Matte. Esta HQ foi republicada no fanzine Tchê número 34 (lançado no inverno de 2005).

Após um hiato de mais de uma década, o Caçador reapareceu em "O Filho do Caçador", escrita por Jerônimo de Souza e desenhada por Geraldo Abelardo. Publicada na revista Hangar 02, editada por Jerônimo em 2007, seu argumento já havia sido escrito no início dos anos 1990.



8 de março de 2026

Entrevista com Dennis Rodrigo!

por Edu Manzano

Dennis Rodrigo é um nome que vem fazendo história no meio independente de quadrinhos desde o inicio dos anos 90, sempre deixando sua marca nas edições brasileiras sobretudo no circuito de Super Heróis Brasileiros. Uma pessoa discreta educada e sempre inteligente em suas atitudes Dennis merece nossos holofotes em seu trabalho que vem construindo uma forte base de fãs! Vamos conhecer um pouco mais sobre este excelente Quadrinista!


1- Eu conheci seu trabalho na época da editora que eu tinha com o Salles a Júpiter2, e você sempre digamos assim "militou" no estilo Super Heróis. Fale um pouco de seu começo e como se interessou em fazer HQs e sobretudo criar seus próprios Super Heróis? 

Dennis - Então, sou apaixonado por desenhar e por super-heróis, desde sempre, logo, foi bastante natural fazer Quadrinhos por causa formato, que soma arte e texto, isso no início da década de 1990. Com o passar dos anos, os desenhos animados que assistia na TV foram me influenciando cada vez mais, porém, como eu queria fazer a minha própria maneira, fui criando personagens e contando suas histórias.

2- Qual sua visão naquela época sobre a Júpiter2? 

Dennis - Em 2007 eu adquiri a trilogia Depois da Meia Noite, do Laudo, e ele gentilmente me enviou de brinde a HQ do Raio Negro #5 da Júpiter2. Fiquei muito bem impressionado por tudo, desde a aventura em si à qualidade gráfica da editora. No Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) de 2009, eu comprei Máscara Noturna 1 e 2 num stand de independentes e aquela boa impressão se concretizou ainda mais!

3- Fale um pouco sobre suas criações próprias! Percebo que você inclui um diferencial mais humanizado em suas hqs

Dennis - Em geral, minhas criações se movem por causa de suas emoções, tomam atitudes considerando o que sentem e sofrem as conseqüências por suas ações, boas ou ruins. Talvez seja isso que garanta o aspecto humanizado em cada trama, independente do personagem que protagoniza a história.

4- Seus estilo é limpo e alegre, remetendo aos quadrinhos clássicos, nos fale sobre suas influências.

Dennis - Esse estilo limpo e alegre de hoje em dia com certeza é um encontro com o que eu gostava de ver na televisão na. Porém, antes da “cair a ficha” para o que realmente gostava, fui completamente impactado por gente como Jim Lee, Mike Deodato Jr e outros artistas que fizeram sucesso nos Anos 90, momento em que comecei a colecionar Quadrinhos efetivamente... Com o tempo, fui deixando muitos daqueles excessos para trás e descobrindo outras influências artísticas e narrativas e, nesse sentido, quero destacar o saudoso Darwyn Cooke, que, em minha opinião, é o sinônimo máximo de traço limpo e alegre.


5- Qual sua visão sobre os Super Heróis Brasileiros? Atualmente e o que podem alcançar?
 

Dennis - Em 2008, eu produzi quase uma dezena de fanzines com o tema super-heróis brasileiros e o trabalho de pesquisa da época para cada exemplar foi o que deixou completamente apaixonado. Gostaria que mais pessoas soubessem o que já foi feito em terras tupiniquins ao longo de décadas... Assim como o que é feito hoje em dia, claro! É um gênero de Quadrinhos bastante subestimado, mas que, felizmente, teima em resistir e, por isso, tem a chance de alcançar cada vez mais pessoas.

6- Seu trabalho R/Evolução Guardiã tem chamado a atenção, ele é uma retrospectiva da trajetória de seu grupo Os Guardiões, fale sobre este trabalho

Dennis - O conceito de super-heróis nas minhas histórias diz respeito aos homens e mulheres que se dedicam firmemente ao propósito de guardar a paz e justiça no mundo. A presença deles é a centelha dessa revolução na sociedade. Os dois volumes lançados até o momento narram a trajetória desses Guardiões, desde tempos imemoriais até os anos mais recentes.

7- Voce também participou do projeto "Arte Sequencial Brasileira". Nos conte sobre isso! 

Dennis - Foi uma baita e grata surpresa! Eu não tinha dimensão do tamanho ou representatividade do projeto até então. Enfim, alguns anos atrás eu ilustrava tirinhas do Pequeno Xuxulu ocasionalmente para o roteirista Gian Danton e, um dia, ele perguntou o que eu gostaria de desenhar para uma HQ. Respondi que gostaria de fazer algo como a animação Galaxy Trio, da Hanna-Barbera... Pouco tempo depois, o Gian me enviou o roteiro de TRIO ESTELAR. Produzi rapidamente as páginas e compartilhei em segredo com um amigo que resumiu: “É Galaxy Trio escrito por Grant Morrison”. De fato, quem leu sabe que é realmente algo assim e me orgulho muito do resultado. Só gostaria de ter feito mais páginas!!!

8- Quais os planos em termos da sua produção para este ano? Projetos em vista? 

Dennis - Sim, sim. Em R/Evolução Guardiã Volume 2 eu estabeleci meu conceito de multiverso e, no momento, estou trabalhando numa história que se passa numa Terra Paralela. Outros projetos em andamento incluem somar um guia de personagens a cronologia que publiquei no final de 2025. Existem outras idéias em ebulição, mas falamos sobre isso no futuro.

9- O que tem lido atualmente que te chamou a atenção? 

Dennis - Minha leitura de destaque mais recente foi The Cast número 1, projeto financiado coletivamente que tem ares de produção internacional, mas que, na prática, é Quadrinho brasileiro de super-heróis feito no Brasil, exatamente como deve ser! Estou ansioso pela sequência que vai trazer as origens dos personagens no traço do meu conterrâneo, o mineiro Vitor Caffagi... Simplesmente, um dos melhores!

10- Grato pela entrevista caro amigo Dennis! Sucesso e deixe suas considerações finais e seus canais para que os leitores conheçam seu trabalho! 

Dennis - Eu que agradeço o convite, Edu. Fiquei honrado e feliz de verdade. Aproveito o espaço então para convidar a conferir meus desenhos nas redes sociais e quem estiver interessado em adquirir basta mandar mensagem também no insta @dennis.rodrigooliveira








 




 



 

25 de fevereiro de 2026

Entrevista Lancelott Martins um mestre a altura de seus heróis!

 por: Edu Manzano

Seria redundante falar do quanto Lancelott Martins tem feito pelas Hqs nacionais, sendo roteirista, ilustrador, editor, pesquisador, seja resgatando autores e personagens importantes da histórias dos quadrinhos nacionais, ou sempre encabeçando algum novo projeto, o fato é que além disso vemos um autor com visão, alguém que tem contribuído muito para a constante evolução de nossos artistas e sobretudo um cabra bem humorado que enche de estímulo quem produz e lê quadrinhos!


1- Prazer em ter você aqui velho amigo! Como você está?

Lancelott- Salve, Edu!!! Estamos bem... O prazer é meu em estar à sua presença, meu amigo. 

2- O que você tem feito e ou esta para lançar em termos de quadrinhos?

Lancelott- Quadrinhos permeia a nossa vida, né? Estamos sempre fazendo alguma coisa... O Quadrinhista Independente é um staff de uma Editora, tem que fazer tudo e ainda sem caixa... ahahaha!!! Bem, de minha criação estamos com algumas revistas por terminar, para lançar impressa pela Sabatina Editora, por exemplo: Um minissérie do SETE ESTRELAS com roteiros meu e do Rodrigo Marcondes PIE (imagens abaixo) e alguns artistas fantásticos como: Zilson Costa, Sullivan Suad, Ki Hap, M. Oliveira, Gilliard, Alex Genaro e Adriano Felix... Esta minissérie tem a participação de outros personagens de outros colegas autores, como o Penitente de Lorde Lobo, Proscrito do Rodrigo PIE, Grimorium de Rom Freire, Fantasia de M. Castilho e Bispo de Rodrigo Fernandes...

 

Na sequência, em produção para lançar impressa também pela Sabatina Editora, tem O 4UARTETO que é um grupo de jovens especiais que viveram na década 60 a 80, durante o Regime Militar e eram manipulados por uma Divisão de Foras de Série ( pessoas com dons especiais e inatos), este grupo eu criei em 80 no meu zine denominado O QUERELA. É uma minissérie de 3 números, já está pronta. O primeiro número já foi lançado pela Sabatina Editora (imagens abaixo)

    

Na primeira revista e segunda foram roteiros de Rodrigo PIE e os artistas na sequencia os artistas para as três revistas foram Serj D’Lima, Flavio Rodrigues, Sullivan Suad & Zilson Costa e nesta última, o roteiro foi de Henry Garrit.

Tenho ainda em produção com o artista Oséias Julio e roteiro dividido, meu e Rodrigo PIE, cores de Alanzim, um personagem denominado IOD, com a participação da TRINCA ( três irmãos especiais e que são espiritualistas) e ainda o Penitente do Lorde Lobo (imagens abaixo).

  

Tem ainda uma Graphic Novel que fizemos com grande equipe: Charles Hoffman (roteiro), arte/lápis/tinta: Marcos Santiago (que gerenciou todo o projeto), tinta também de Jackson Gebien e cores de Alan Emmanuel, para O SOMBRA D’ÁGUA. O Projeto irá para o Catarse em breve, estamos nos ajustes finais com as cores. (imagens provisórias abaixo).  

  

E, naturalmente de meu personagem principal, O CATALOGADOR DE UNIVERSOS, que completa 10 anos agora e vamos lançar pela Sabatina Editora, um Artbook impresso, com artes dos fãs e amigos, uma Graphic – ORBISPHAGIA, ainda em fase de conclusão sob a batuta de Rodrigo Pie e a Equipe da Sabatina e uma outra em P&B, escrita e desenhada pelo artista Carlos Claudino, Pecados de um DEUS. (imagens anexas)

 

 

3- Lance, você tem sido um ponto de referência da produção dos quadrinhos de super heróis nacionais! Nos diga o que melhorou e o que mudou digamos na ultima década?

Lancelott - Muita coisa melhorou e muita coisa mudou... Como diria Bob Dylan: 

“Then you better start swimmin' or you'll sink like a stone

For the times they are a-changin'

Come writers and critics who prophesize with your pen

And keep your eyes wide, the chance won't come again

And don't speak too soon for the wheel's still in spin.”

Tudo muda...  temos que caminhar com estas mudanças. A produção, o mercado, a demanda, tudo isso passa por novas definições, o editor, o artista, autor que não se embrenhar nisso, que é apenas contemporâneo e rápido, pode perder o bonde... O melhor dessa década tem sido esta rápida transição que acontece a olhos vistos. A história já contou o passado, as editoras, os mercados, os ousados empreendedores da Ditadura Militar, o legado que nos foi deixado, enfim, tudo isso é insumo para nossas ponderações...

4- Você também é claro tem seus próprios personagens nos fale um pouco sobre eles! 

Lancelott- Meus personagens foram na maioria, criados na década de 80, quando eu, como você, fazíamos fanzines... Eu fazia aqui no Piauí, O QUERELA que versava sobre a questão raiz da nossa cultura e momento político... Lá eu criei o EXÚ que era um Orixá, o SETE ESTRELAS que era um vaqueiro martirizado e preso a uma promessa de redenção do mundo espiritual e o 4UARTETO, quatro jovens submetidos a uma lavagem cerebral por uma Divisão Científica do Exército e utilizados como armas (hoje eu reconto a histórias deles numa minissérie, como falei acima...). Tenho ainda personagens mais recentes, como O CATALOGADOR DE UNIVERSOS, O COMETA HUMANO, IOD e JHEREMIAS- um super-homem.





5- Como roteirista quais trabalhos lhe deram mais satisfação ter realizado?

Lancelott- Não tenho um trabalho que eu goste... Na verdade eu gosto mais dos trabalhos dos colegas roteiristas quando entrego meus personagens e os deixo com total liberdade para explorar o canônico e o mitológico deles. Fico surpreso com as contribuições dos colegas, este sim, me dão muita satisfação. Eu gosto de escrever para os colegas, recentemente, escrevi um roteiro para meu amigo Rodrigo PIE de seu personagem BLINDADO e a VELTA de Emir Ribeiro, gostei de fazer esse...

6- Quando escreve qual diferencial voce busca mostrar quando trabalha um super heroi brasileiro?

Lancelott- Não sou ufanista... vejo o quadrinho como uma via de expressar a ficção, o lúdico sem qualquer viés mas dentro da aventura, do sentimento, da viagem do herói ou nem tanto... Não vejo que um cenário, uma cor, uma vestimenta, uma paisagem, definam um “super-herói brasileiro”. O Super-herói, a criação, é apenas um reflexo do impossível, do imponderável na justa medida do que não nos é possível fazer como um humano “normal”, no entanto, na ficção, um humano “normal”, pode fazer o que não podemos... O “super” não é uma propriedade de um movimento, como os comics por exemplo, mas sim uma expressão que extrapolou continentes e não tem mais raiz, é um conceito, uma ideia que pode ser aplicada independente de bandeira, cor ou tradição histórica.

7- Outro tema que você é aficcionado é o terror, fale como é para você, trabalhar este estilo! 

Lancelott- Olha só! Adoro TERROR... Acho que consumi tudo da década de 80 que foi produzido aqui no Brasil. Recentemente, resolvi com o artista Mauricio Lima aqui do Piauí, produzir uma série de pequenos contos com esta vibe dos anos 80... Contos de terror com base no urbano, nas lenas, no regionalismo que denominei de COISA DE MALUCO. A arte deste projeto foi exclusiva do Maurício e dividimos os roteiros. O projeto tem uma apresentação gráfica de flip/flap. Com duas revistas em uma, invertidas, duas capas. As capas foram dos artistas Cayman Moreira e Max Garcia. A revista ainda está à venda com os autores ( eu e o Maurício). (Imagens anexas)

     


8- O que tem lido em termos de quadrinhos atualmente e quais trabalhos você poderia destacar?

Lancelott-  Tenho lido muito material nacional produzido pela Kimera do Vanderlei Sadrack, Gibix do Rogério Casacurta, Tiras Brasileiras do Luigi, material produzido aqui pela Editora Sabatina e muito material antigo, aqui de minhas pesquisas...

9- Qual sua opinião sobre o atual cenário de quadrinhos nacionais, pontos positivos e negativos?

Lancelott-  Vejo o cenário sempre como um momento, um reflexo... Acho que esta plataforma de financiamentos coletivos tem nos apresentado muita coisa boa de produção independente e nacional. Este momento e este sistema de produção oportunizam ao editor, autor independente mostrar seu trabalho... Podemos nos questionar – “mas tem muito projeto, não dá para apoiar todos.” Sim... Mas assim é o mercado, se no tabuleiro não tiver oferta, não temos opção de compra e escolha, quem manda é o cliente, o leitor.

10- Trabalhar com um personagem como Exu parece-me gratificante e desafiador ao mesmo tempo, o universo dele faz parte de seu sistema de crenças? Fale um pouco sobre isso!

Lancelott-  Olha só... EXÚ é um Deus do Candomblé e tem deveras, um culto pelos adeptos desta forma de fé. Quando fiz EXÚ eu estava neste momento com esta espiritualidade em minha vida. E sei que seria um desafio fazer algo com este viés, uma vez que de alguma forma ainda resta muita rejeição por parte das pessoas em geral. Quando eu iniciei o zine QUERELA e logo na edição de número 7, recebi muitas críticas ao apresentar uma HQ de um personagem com estas características e muitas vezes, pelo desconhecimento da religião, confundido e tido como algo “diabólico”. Foi complicado e fui combatido... Tenho uma reatulização inédita do personagem feita pelo artista Bruno Lima após roteiro de Leonardo Santana, não publicada. Mormente, estou refazendo esta HQ com outro artista, o Sullivan Suad. Mas o personagem já teve participações com o Escorpião de Prata de Eloyr Pacheco e Dante do WILL.  Em breve teremos novidades... (abaixo).

     

11- Sombra D`água também é um personagem muito interessante e diferente, o que buscava com sua criação?

Lancelott - Aqui, com O SOMBRA D’água buscava uma abordagem cultural sobre nossas lendas sem ser a própria lenda... Fiz uma mítica dentro do cenário da Primeira e da Segunda Guerra com a questão dos experimentos humanos pelos nazistas e assim nasceu o personagem, lastreado na nossa mitologia e com elementos reais... Muita coisa será revelada na sua Graphic Novel, como falei acima, com roteiro Charles Hoffman.

12- Qual sua opinião sobre quadrinhos digitais?

Lancelott- Necessários. Acho que é uma vertente, tanto na oferta de leitura por plataformas free  ou pagas, como a própria venda do produto digital. A AMAZON já faz isso há muito tempo... Eu mesmo tenho produtos meus nesta plataforma do Kindle....

13- Grato por nos dar essa entrevista Lance, espaço aberto para suas palavras!

Lancelott- Eu agradeço o espaço e acho que estas oportunidades dadas aos autores, artistas e editores, só vem a fortalecer nosso cenário. Seu espaço nos fortifica, meu amigo.

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16 de fevereiro de 2026

Resgate de edição Perdida do Garra Cinzenta!

Edu Manzano

Lá no início dos anos 90, foi lançada uma edição especialíssima dos Super Heróis Brasileiros em meio à enxurrada de lançamentos fantásticos naquele "boom" de fanzines daquela época que quase passou despercebida e com o tempo infelizmente foi esquecida. A Incrível história do Garra Cinzenta!

A edição foi levada à cabo ( e isso é um detalhe bastante peculiar e relevante ) por Marcelo Marat (roteiro) roteirista bastante ativo naquela época e que lançou alguns de seu ótimos trabalho pela Marca de Fantasia. E nos desenhos Marcio Sennes. Marcio foi um dos grandes desenhistas independentes do Brasil, extremamente inteligente, educado e dono de um traço único, participou das maiores edições de quadrinhos brasileiras naquela época. O fato é que no final dos 90 Marcio Sennes desapareceu, sumiu das midias sociais, mudou de endereço e sumiu simplesmente o que deixou aturdidos artistas próximos e amigos que como este escriba que vos fala ficaram perplexos com o destino do que poderia ter acontecido a nível pessoal com Sennes, buscas mais recentes com ferramentas atuais que temos se mostraram inócuas o que torna ainda mais misterioso o destino deste grande artista.

O fato é que esta edição é uma ode de Amor e homenagem à seu personagem principal o Garra Cinzenta, criado por Francisco Armond ( roteiro) e Renato Silva (arte). Cada página do zine é uma prancha de um herói com a arte estupenda de Sennes. Nós Recuperamos a edição e após um trabalho de recuperação das imagens com respeito total ao trabalho dos autores e unicamente com o intuito de preservação histórica e está aí resgatada para você!

E você participou da época do "boom" dos fanzines? Conhecia Marcio Sennes e Marcelo Marat?

BAIXE A EDIÇÃO AQUI!



17 de agosto de 2024

Voltando à ativa!!!

 Estamos voltando! Aguardem novidades!!!